Aperta Start #04 – O futuro sombrio das mídias físicas

O quão orgulhoso se sente um colecionador em conseguir finalmente completar uma coleção de games antigos que ele sempre gostou, ou até mesmo, completar uma saga inteira, passando de consoles retrôs até sagas que se estendem para os consoles da geração atual. Quando você coloca o último item faltante junto com os demais na prateleira, você se sente a pessoa mais feliz do mundo, mas e agora, como será a vida do colecionador daqui para frente com a invasão da mídia digital?

Não é novidade que as principais fabricantes de games e consoles do mundo já realizam a venda de seus jogos de forma totalmente online, seja a Nintendo com a e-Shop, a Sony com a PSN e a Microsoft com a Live. Com isso, o jogador pode acessar o vasto conteúdo oferecido e ali mesmo, do sofá de casa, pode realizar a compra de um lançamento, reservar uma pré-venda e adquirir diversos especiais, com apenas um toque no comprar.

Com toda essa facilidade, podemos prever facilmente um futuro próximo para o mercado, mas, também temos que analisar a questão pró e contra desse futuro. Iniciando pelas vantagens, o acesso aos gamers a conteúdos de difíceis de se encontrar por serem distribuídos escassamente, aumenta a segurança do comprador em poder esperar o console ficar mais barato após o lançamento sabendo que vai encontrar todos os games que foram lançados facilmente e evita o superfaturamento de varejistas aproveitadores. Outro ponto interessante é que estimulará uma concorrência muito mais acirrada em nível mundial, então o marketing será cada vez mais de extrema importância, além de promoções e exclusividades para agarrar o jogador e sim, torná-lo mais fiel a empresa.

Outra possibilidade chamativa são os relançamentos, como a Sony e a Nintendo fazem atualmente, eles disponibilizam os games dos consoles clássicos que não são encontrados facilmente no mercado atualmente e praticamente se tornaram raros e caros, sendo vendidos muitas vezes pelos valores de jogos lançados atualmente ( por volta de R$ 120 a R$ 200) e nos serviços online, estão na média de R$ 15,00 completo. Bom para os retrogamers que não são colecionadores e que podem sair dos emuladores de forma legal e segura, além do incentivo aos mais novos a conhecerem o início de tudo.

O lado ruim fica por conta do varejo, como o setor pode sobreviver a uma falta de jogos em suas prateleiras? Sabendo que os jogos são as principais mercadorias que realizam o giro financeiro da loja. Não é difícil ver a formação de filas gigantescas quando há o lançamento de algum jogo esperado, de promoções instantâneas a fim de dar uma chance do gamer adquirir um jogo com valores mais acessíveis ( não vou nem entrar no mérito de imposto por que já estamos cansados de saber como sofremos com isso…). Outro fator a ser considerado, é a troca de jogos com os amigos ou até a comercialização de usados, que ajuda muitas pessoas em muitos casos a encontrar um jogo com valores mais acessíveis. Quando a Microsoft anunciou o XBOX ONE,ela foi extremamente criticada pelos consumidores e a mídia especializada quando informou que não seria capaz de emprestar seus jogos a um amigo, e causou tanta repercussão que o próprio presidente da Sony Entertainment divulgou diversos vídeos sátiros sobre isso. A Microsoft voltou atrás ( é claro) e cancelou esse travamento.

Na minha opinião, todo esse “escândalo” a respeito da Microsoft veio mostrar que os gamers ainda querem ter seus jogos nas prateleiras e os compartilharem da forma que desejar, até mesmo para presentear alguém, muitos dos gamers atualmente são os mesmos consumidores de anos atrás e são os que tem maior poder econômico para adquirir novos produtos, então o marketing, atendimento e qualidade se tornaram fatores absolutos na escolha da publisher preferida e as empresas devem utilizar isso a seu favor e como dizem todos os meus professores: “OUÇA SEUS CLIENTES”.

Brasil, meu Brasil brasileiro…

Pois é, tudo é muito lindo em um aspecto geral, seja por qual lado vemos, o Brasil continua atrás em se tratando de distribuição e impostos sobre os games. Recentemente a Nintendo largou o barco de vez das terras tupiniquins e disse que só voltava quando esse país entrasse nos eixos e colocasse em práticas projetos de incentivo de investimentos de multinacionais e distribuidores internacionais no país, a carga aqui é pesada, mano!

E é cômico ver como todos esses impostos estão nos acorrentando cada vez mais ( e essa semana nossa querida presidente anunciou que vai aumentar mais os impostos de produtos importados…), por exemplo: eu estava pesquisando diversos valores de um mesmo jogo da PSN de diferentes países, e em todos os que eu pesquisei ( EUA, Portugal, Japão e Alemanha), os games que são lançamentos, são mais baratos do que as versões em mídia física, no Brasil, o valor é o mesmo OU ATÉ MAIS CARO. Então fica muito difícil entender o motivo disso, já que não há distribuição, não há impressão e etc… Será que até a Sony aproveita da desculpa do dólar alto no país ou o aumento dos impostos como desculpa para conseguir lucrar mais ou a coisa está feia mesmo?

Outro ponto contra é o acesso a internet da população e a qualidade oferecida a ela, nesse caso as empresas não tem muito o que fazer, mas, ignorar que em determinado lugar a internet não é compatível com o que o sistema do videogame precisa para rodar em sua excelência, é praticamente dar um tiro no pé, e vale lembrar que o Brasil tem uma internet nojenta e é o 4º maior mercado de games do mundo…ou seja, pode não ser tão bom assim para nós pelo menos.

Conversando com jogadores e colecionadores dos grupos Mestres dos Games Brasil, Retrogamers Brasil, Fórum Retrogamers entre outros, foi constado que sua maioria ainda prefere os jogos em formato físico, mesmo concordando que as mídias digitais ajudam muito em não precisar ter lugares para armazenar os jogos. Podes-se constatar que os grupos pesquisados são mais voltados para colecionadores e jogadores com idade entre 20 a 35 anos, mas são os mais ativos economicamente no mercado. Foram 64 entrevistados, e somente 12 deles informaram preferir jogos digitais contra a avalanche de 52 entrevistados ainda preferirem os jogos em mídia física.

Em meu ponto de vista, acredito que o mercado continuará oferecendo as duas formas de mídia por um longo tempo ainda, apesar de preferir as mídias físicas, acredito que o formato digital ajuda muito quando precisamos encontrar determinados jogos que sumiram do mercado ou que simplesmente não foram comercializados em determinada região. Outro lado muito bom da distribuição do formato digital é disponibilizar jogos de plataformas anteriores. Muitos dos gamers mais novos não tiveram a oportunidade de se divertirem com clássicos e para conseguir tal objetivo seria necessário desembolsar uma boa quantia no mercado retrogamer, que está bem inflacionado conforme informei em minha coluna anterior (Leia Aqui), onde jogos como Chrono Trigger são encontrados na faixa dos R$ 400 a R$ 600, enquanto que na Playstation®Store disponibiliza mesmo jogo por R$ 12,90.

Por fim, o negócio é se divertir independente do formato e esperar para ver o que o mercado vai fazer pela frente. E você? O que prefere?

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