Aperta o Start #01 – Supervalorização ou raridade?

A grande polêmica! A dor de cabeça de todo colecionador de games antigos está cada vez mais presente no mercado, o valor exorbitante de produtos considerados uma “raridade” pelos lojistas e colecionadores.

Mas, o que torna esse jogo raro e que possibilita esse item a chegar a um valor de 1000% acima do valor inicial de venda?

Para tentar entender (só tentando mesmo por que realmente entender isso é um desafio e tanto!), vamos dividir essa discussão em dois tópicos diferentes, o primeiro, na versão dos lojistas e revendedores, a segunda, com os próprios colecionadores.

Colecionadores somente são compreendidos por outros colecionadores, são aqueles admiradores que estão sempre atrás do que está mais impecável e “único”. Esse “único” pode ser o motivo de querer desbancar um Super Nintendo Set Super Mario World lacrado acompanhado de 2 controles, com a VGA em 9.0, por US$ 3.000,00, e acredite, ele pediu pouco nesse item. O que faz com que esse item chegue a esse valor? Ele é único. Como explicar isso para um público consumidor gamer que somente quer jogar e ter suas horas de diversão na frente do console retrô favorito? A missão fica um pouco difícil.

Não cheguei ao ponto de comprar itens nesse índice de qualidade, até por que, minha condição financeira não permite, mas, como colecionadores, garantimos em ter itens que serão expostos por toda a nossa vida, em ter um item para mostrar para as próximas gerações que eles são valorosos e não apenas itens de ferro velho que são descartados como lixo. Aliás, nada nesse mundo deveria ser descartado como lixo, pois tudo ganha um valor histórico. Lembro-me  de ver um quadrinho do Homem-Aranha nº 1 ser vendida nos EUA em um leilão, por mais de US$ 1 milhão. Também já vi uma camiseta de um jogador famoso de baseball ser vendida por mais de US$ 200 mil dólares. Isso sem contar infinitos itens que colecionadores são loucos: tampinhas, selos, pilhas, pedras, bolinhas de gude, ou seja, tudo é colecionável e tem um valor histórico.

Eu coleciono por ter em mente que uma hora esses produtos vão sumir do mercado e um dia vão ser esquecidos com o tempo e os mais novos não vão poder ver como tudo começou, há claro, o lado do “orgulho” de ter um item especial que poucos tem acesso. Colecionadores em sua maioria (pelo menos os que eu conheço), não são pessoas de extrema vaidade, gostam de mostrar suas coleções e ainda ajudam aos novatos a adquirir itens com valores mais acessíveis e a conhecer melhor esse mercado maluco que estamos envolvidos, e acredite, não gostamos de ver ninguém meter os pés pelas mãos. Claro, deve haver exceções, há muitos colecionadores no mercado e que se aproveita da ingenuidade dos iniciantes e cobram por produtos que dizem estar raros. Aconteceu uma vez na região da Santa Efigênia em São Paulo, estava visitante um pequeno box que vende jogos e consoles antigos, quando vi um vendedor oferecendo um cartucho do Super Mario All-Stars (edição sem o Mario World) por 180,00 para uma criança acompanhada de sua mãe, que também não tinha ideia do valor real do jogo. De alguma forma consegui cancelar aquela compra fingindo que a senhora era minha tia e a indiquei outro box que o mesmo jogo estava por R$ 60,00. Infelizmente, colecionadores ou acumuladores são obrigados a ficarem muito atentos com esse mercado, um deslize em falso significa uma boa quantia de dinheiro jogada no lixo.

Na questão de mercado é um pouco mais fácil de entender, porém, a falta de conhecimento de grande parte dos vendedores é o que realmente assusta.

Mas qual o motivo de tanta “raridade”?

O comércio de games funciona como qualquer outro, nas regras da oferta e da procura. Como todos sabem, quanto maior a oferta de um produto no mercado, menor será o seu valor, quando um item se torna escasso, o valor desse produto sobe.. Mas, o que torna um game se tornar milhares de vezes mais caro que o seu preço original, mesmo sendo vendidos loose? (sem caixa, sem berço, sem label e em muitos casos no Brasil, pirata!). Puxando o lado dos comerciantes, eles precisam pagar funcionários, precisam pagar as contas da loja, precisam vender a um custo maior para lucrarem, assim como qualquer loja de penhores ou revendedores, você não vai chegar lá e conseguir vender o seu Zelda A Link To The Past do Super Nintendo pelo valor de mercado, hoje em dia este jogo está na casa dos R$ 150,00. O lojista vai querer comprar esse jogo com no máximo, 40% abaixo do valor de mercado, por que lembrando, ele tem custos para pagar. Com isso, ele pagaria em torno de R$ 80,00 e venderia esse jogo por R$ 150,00.

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O que faz essa bagunça toda nos valores dos jogos: o comerciante sabe que o jogo Zelda ALTHP custa R$ 150,00, então qualquer jogo que chegar nele e for Zelda vai custar R$ 150,00, com isso, o jogo loose que chegar pra ele vai ter esse valor mínimo, se chegar na caixa então vai custar o triplo do valor! Ou seja, cada vez mais o valor do produto aumenta, pois irá aparecer outro Zelda com uma qualidade um pouco melhor, e com isso ele vai achar que vale mais. A culpa também é de quem compra esse jogo, pois está alimentando o direito desse varejista de vender o game a um valor exorbitante e sem perceber, está determinando o valor desse jogo no mercado. Muitas vezes, esses jogos são vendidos para pessoas com pouco conhecimento no mercado e que comprou o jogo por que viu em algum lugar que ele é raro, excelente e difícil de se achar. E o grande vilão disso tudo, foi a pirataria. No Brasil nos anos 90 e 2000, era muito mais fácil você encontrar lojas, barracas de feira e revendedores oferecendo games piratas ( que funcionavam perfeitamente nos consoles antigamente) do que os jogos originais, que eram considerados caros para a época, depois de uma recessão econômica forte (Ei! Collor! Vai …), deixando assim o poder de compra dos nossos pais e avós reduzido para gastos com videogames, que eram novidades e considerados brinquedinhos para criança. Então, pra que ele gastaria algo em torno de R$ 40,00 na época em um jogo original se ele poderia comprar o mesmo jogo, idêntico (na aparência), por R$ 15,00? Isso se a informação era repassada para eles de que o jogo era pirata, o que eu duvido muito. Então, atualmente a maioria dos acessórios e cartuchos que estão circulando no mercado retrô, ainda são de produtos falsificados e na ausência do original, ele se torna o Zelda A Link to The Past, piratinha, loose…por R$ 150,00…é fogo!

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Outro fator que faz com que o jogo custe o nosso fígado, é a maldita especulação de mercado. O caso mais recente é do jogo Zelda: Ocarina of the Time 3D (Sim, de novo Zelda…). Esse jogo foi o relançamento do famoso jogo do Nintendo 64 (considerado por muitos o melhor jogo da série, inclusive por mim) para o atual portátil da Nintendo, o Nintendo 3DS. O que aconteceu com esse jogo foi a quantidade limitada de pedidos das importadoras e distribuidoras de games brasileiras, fazendo com que o jogo sumisse das prateleiras em pouquíssimo tempo , começando então as falsas informações como: “O jogo teve tiragem limitada”, “o jogo não será mais produzido” e por ai vai, com isso, o valor desse produto, que no lançamento estava em R$ 149,90 disparasse absurdamente para até R$ 700,00 no Mercado Livre ( pelo amor de Deus, tomem cuidado ao comprar games pelo ML), e a média do jogo está na casa dos R$ 300,00. Tudo isso aconteceu, por um erro das distribuidoras da Nintendo no Brasil, que solicitaram uma quantidade ridícula para o mercado nacional, esquecendo que somos o quarto país com mais jogadores e o 11º mercado com mais consumidores de games do mundo e com erro como esses, ficamos a mercê de pessoas com intenções erradas, para se ter uma ideia, hoje ainda se encontra facilmente o game em lojas varejistas, como dos EUA, Japão e até Alemanha e algumas já estão com a pré-venda do novo lote.

Mas até quanto vale um produto para um colecionador ou para um gamer? Até onde você vai para conseguir comprar aquele game que você sempre quis jogar ou parte logo para o emulador?

Perguntamos em um grupo de colecionadores e retrogamers brasileiro, o grupo de Whatsapp da RetrogGames ( ligados ao grupo Retrogamers Brasil) a seguinte pergunta : “O que é ser colecionador pra você? E o que acha dos valores dos jogos antigos atualmente?” Confira abaixo as respostas dos participantes desses grupos:

“…Eu tenho limites quando vou comprar um jogo, eu não pago mais de R$ 400 em um cartucho, tem gente que paga R$1.000,00. Colecionar games, para mim, é ter itens, jogos e tudo que for relacionado ao mundo dos games, só que muita gente está colecionando como se colecionar fosse modinha. Com relação ao valor dos jogos originais, de certa forma os valores estão absurdos, todo mundo quer colecionar e todos acabam segurando os jogos, por isso o valor de certos jogos subiram tanto e está esse absurdo, daí surge os aproveitadores para passar a faca no pessoal.”

Diógenes Marcello – Whatsapp RetroGames –

“Coleciono para guardar a memória… Já salvei muito console e jogos do lixo. E graças a Deus sempre passei itens da minha coleção por um valor bem menor ao de mercado, porque realmente está inflacionado.”

Rafael – Whatsapp RetroGames

“Tenho 17 anos, e tenho uma coleção boa até, e acho que qualquer um pode colecionar, não importa a idade. A questão é que vira coleção a partir do momento em que você procura ter, eu simplesmente prefiro os retrogames por que não são jogos de “apertar botão”, tem ideologias diferentes, não vejo problema em “crianças” de quinze anos gostarem.”

Emerson David – 17 anos – Whatsapp RetroGames

“Eu gosto de ter os jogos que eu jogava quando criança, apesar de inflacionado eu não faço questão de ser loose ou original. Gosto de games antigos independente de onde eu consigo, mas também não pago um absurdo por um game”

– Ronaldo Nascimento– 41 anosAdministrador do Grupo de Whatsapp RetroGames

E você, qual a sua opinião sobre colecionismo e a raridade dos games? Deixe sua opinião nos comentários abaixo, e não deixe de nos seguir no Facebook e no Twitter!

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